segunda-feira, 28 de junho de 2010

Nos demais,eu sei  
qualquer um o sabe -
o coração tem domicílio no peito.
Comigo a anatomia ficou louca.
Sou todo coração -

em todas as partes palpita."




                                                           Maiakóvski
' ... de tanto andar na corda bamba eu sou equilibrista ... '
Sempre acreditei que toda vez que a gente entra numa igreja pela primeira vez, vê uma estrela cadente
ou amarra no pulso uma fitinha de Nosso Senhor do Bonfim, pode fazer um pedido. Ou três. Sempre faço.
Quando são três, em geral, esqueço dois.
Um nunca esqueci.
Um sempre pedi:
AMOR.



"Achei um pouquinho mágico, mágico suave, você sabe - nós ali, lado a lado, falando praticamente das mesmas coisas."
Dá pra escolher entre ser carnívoro ou vegetariano, entre fumar ou não, entre correr na praia ou ficar um pouco mais na cama, entre jogar paciência ou ler um livro, entre amores serenos ou amores turbulentos. Se a escolha será acertada, aí já é outro assunto, o futuro vai dizer. Pensando bem, acertos e erros nem estão em pauta aqui. O que importa é ter consciência de que ficar sentado esperando que a vida escolha por nós não é uma opção confortável como parece.   
 Descansados da silva, vem o tempo e crau: nos ultrapassa

quinta-feira, 24 de junho de 2010

"Viver... bom, viver o senhor já sabe: viver é etcétera..."

"Domingo é o meu inferno astral. Duvido que haja algo mais entediante. É dia de descansar, de almoço em família, de ir ao parque: o domingo é benevolente demais. Não tem a malícia do sábado nem a determinação da segunda. É um dia em cima do muro, não é dia de festa nem de trabalho. Nem lá, nem cá. Nem mais, nem menos. Suporto tudo nessa vida, menos as fases transitórias, aquelas onde já abandonamos o lugar em que estávamos mas ainda não chegamos aonde queremos. Viajar de avião, por exemplo. Tem coisa que nos deixe mais sem chão, literalmente? Estrada tem ao menos a paisagem para distrair, e quem quiser sair do carro, sai. Mas você não pode sair de um avião. Nem de um domingo."
"Não gosto da vida em banho-maria, gosto de fogo, pimenta, alho, ervas,  ...... por um triz não sou uma bruxa."
"Na vida todos nós enfrentamos desilusões. Nos decepcionamos com amigos, parentes, e até conosco mesmo. Nos desiludimos quando vemos um sonho se transformar em pesadelo, um alvo se transformar numa miragem bem distante, um desejo desaparecer como uma neblina.  A desilusão dói, como um ferimento. Atinge a qualquer um, sem acepção.


 
Mas o importante é saber que novos sonhos podem ser sonhados, e que um novo dia certamente amanhecerá.Fomos criados com a incrível capacidade de nos recuperarmos. Fomos feitos com a capacidade de sair das cinzas para a glória, do nada para o tudo, da derrota para a vitória.Como a águia, temos dentro de nós o desejo de voar grandes alturas, portanto também acima das desilusões.Cada desilusão é um convite a um novo sonho, a uma nova visão da vida. É um convite a um novo desafio, a um novo caminho."




''O amor é procurar cabelos para completar as mãos, é procurar o que não se viveu para contar. É esperar o sol aquecer o lado ileso da cama. É não apagar direito a ausência, a letra, o cheiro. É insistir com respostas sem as perguntas. Adiar o amor ainda é cumpri-lo. Fingir que não se sente é exercê-lo. O amor devora os sobreviventes. Não lembra do pente, da navalha, da tesoura de unhas, do jornal, do abajur. O amor não lembra do que precisa. Amor é não precisar de nada. É precisar do que acontece depois do nada, ainda que não aconteça. O amor confunde para se chegar ao mistério. Embaralha para não se ouvir. Perde-se no próprio amor a capacidade de amar. Amor é comer a fruta do chão. O chão da fruta. O amor queima os papéis, os compromissos, os telefones onde havia nomes. O amor não se demora em versos, se demora no assobio do que poderia ser um verso. O amor é uma amizade que não foi compreendida, uma lealdade que foi quebrada. O amor é um desencontro por dentro.''


"Depois de cada momento de fraqueza, meu coração prepara, em silêncio, uma nova fornada de coragem."
"Entreguei.
       Tenho fé que ele volta, meu Santo é forte"

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Intimidade é quando a vida da gente relaxa  diante de outra vida e respira macio


Eu tenho sede de ouvir todas as músicas, ler todos os livros, conhecer todos os lugares. Fome do mundo e de gente. E essa é a sensação mais nova na minha vida, em anos. Essa vontade toda de fazer o que eu não fiz antes, de ser quem eu nunca pensei que seria. Um querer surreal de crescer. Mas eu também sinto medo. Medo de pular pra fora da bolha. De pegar no volante do carro, e assim, assumir de vez que sou adulta. Medo de toda as novas chances, novas possibilidades. Medo até do que nem chegou ainda. Medo de quem me olha, e de quem não olha também. E, principalmente, muito medo dessa sensação de ter, mais uma vez, o coração aberto pra jogo. Aberto pro que (quem) quer que venha, seja isso bom ou ruim.

E no meio de tanta duvida, tanta vontade e tanta novidade, pesadelos terriveis... Que me predem lá tras e me assustam. Repito pra mim que é só mais um teste da vida. Que pra ver se eu tô pronta pra andar pra frente, ela me joga lembranças de lá tras. Mas eu tô. Eu sei que tô. E, além do mais, isso são só pesadelos. Não tem nada de vida real nisso. Por mais que eu tenha comparado a vida real a um pesadelo, por diversas vezes, ela é muito melhor que tanto fogo, tanta dor e agonia.

E só isso que eu tenho. A vida. Com tudo que ela pode me dar. Superar, encarar, andar pra frente e me deixar levar por todas as nova coisas, é só uma opção. A melhor delas, mas ainda assim, não a unica. Ainda que seja a que eu escolhi. Doer é consequência do processo. Ser feliz, um dia, é resultado dele.


 
                                                                                   {Jessica Martins }



             
                   "Fica sempre um pouco de tudo"



(Carlos Drummond de Andrade)


"Porque é preciso ter os gestos que reconstroem vidas.

E ser semente que germina para multiplicar.
Eternizar os instantes.
Perceber a beleza escondida, os pequenos milagres, as pequenas felicidades certas.
Reconhecer o singular."

                                                                     ~ CECÍLIA BRAGA
Arrasta um ponto final até virar linha reta. Desdobra uma palavra pra esticar o momento, a vontade é dos agoras. Faz desabrochar algumas estrelas apagadas no peito só pra ter a sensação de iluminância na ponta do nariz e irrigar esse azul escuro de noite com pontos de brilho de pensamentos que clareiam o caminho. Escava com as próprias mãos um buraco pra jogar sementes de um futuro verde e rosa. Esperança e amor. É o que a move, o que gira e faz girar nos dias. Perdeu uma ponta de estrela da sua varinha-guia no meio da guerra. Pegou um vagalume e sentou o bichinho no lugar pra continuar brilhando. Lembra, 'todo sopro que apaga uma chama reacende oque for pra ficar'. Suspira e acredita. Mais uma vez e sempre. De um pulo, pega o azul do céu com a mão direita, faz um tapete na sua frente e vai. Caminhando no meio do azul e soltando dos bolsos uma nova semente. Amarelas que nem ouro. São de coragem...


 
( Vanessa Leonardi )
"Aprendi também a não contar muito com os outros: na medida do possível, faço tudo só. Dá mais certo."

                           

quarta-feira, 16 de junho de 2010

"Vou rir bastante, manter um ar distante

                           e esquecer quanto tempo faz."